As mídias na educação
Especialista em projetos inovadores na educação presencial e a distância
Texto do meu livro Desafios na Comunicação Pessoal. 3ª Ed. São Paulo: Paulinas, 2007, p. 162-166.
“A
simples introdução dos meios e das tecnologias na escola pode ser a forma mais
enganosa de ocultar seus problemas de fundo sob a égide da modernização
tecnológica. O desafio é como inserir na escola um ecossistema comunicativo que
contemple ao mesmo tempo: experiências culturais heterogêneas, o entorno das
novas tecnologias da informação e da comunicação, além de configurar o espaço
educacional como um lugar onde o processo de aprendizagem conserve seu
encanto”.
Jesús Martín Barbero
[1]
As mídias
educam
Estamos deslumbrados com o
computador e a Internet na escola e vamos deixando de lado a televisão e o
vídeo, como se já estivessem ultrapassados, não fossem mais tão importantes ou
como se já dominássemos suas linguagens e sua utilização na educação.
A televisão, o cinema e o
vídeo, CD ou DVD - os meios de comunicação audiovisuais - desempenham,
indiretamente, um papel educacional relevante. Passam-nos continuamente
informações, interpretadas; mostram-nos modelos de comportamento, ensinam-nos
linguagens coloquiais e multimídia e privilegiam alguns valores em detrimento
de outros.
A informação e a forma de ver o mundo predominantes no Brasil provêm
fundamentalmente da televisão. Ela alimenta e atualiza o universo sensorial,
afetivo e ético que crianças e jovens – e grande parte dos adultos - levam a
para sala de aula. Como a TV o faz de forma mais despretensiosa e sedutora, é
muito mais difícil para o educador contrapor uma visão mais crítica, um
universo mais mais abstrato, complexo e na contra-mão da maioria como a
escola se propõe a fazer.
A TV fala da vida, do
presente, dos problemas afetivos - a fala da escola é muito distante e
intelectualizada - e fala de forma impactante e sedutora - a escola, em geral,
é mais cansativa, concorda?. O que tentamos contrapor na sala de aula, de forma
desorganizada e monótona, aos modelos consumistas vigentes, a televisão, o
cinema, as revistas de variedades e muitas páginas da Internet o desfazem nas
horas seguintes. Nós mesmos como educadores e telespectadores sentimos na pele
a esquizofrenia das visões contraditórias de mundo e das narrativas (formas de
contar) tão diferentes dos meios de comunicação e da escola.
Precisamos, em conseqüência, estabelecer pontes efetivas entre educadores
e meios de comunicação. Educar os educadores para que, junto com os
seus alunos, compreendam melhor o fascinante processo de troca, de
informação-ocultamento-sedução, os códigos polivalentes e suas mensagens.
Educar para compreender melhor seu significado dentro da nossa sociedade, para
ajudar na sua democratização, onde cada pessoa possa exercer integralmente a
sua cidadania.
Em que níveis pode ser pensada
a relação Comunicação, Meios de Comunicação e Escola? Entendemos que esta pode
ser pensada em três níveis:
1. organizacional
2. de conteúdo
3. comunicacional
- no
nível organizacional: uma escola mais participativa, menos
centralizadora, menos autoritária, mais adaptada a cada indivíduo. Para isso, é
importante comparar o nível do discurso - do que se diz ou se escreve - com a
práxis - com as efetivas expressões de participação.
-
no nível de conteúdo: uma escola que fale mais da vida, dos
problemas que afligem os jovens. Tem que preparar para o futuro, estando
sintonizada com o presente. É importante buscar nos meios de comunicação
abordagens do quotidiano e incorporá-las criteriosamente nas aulas.
- no
nível comunicacional: conhecer e incorporar todas as linguagens e
técnicas utilizadas pelo homem contemporâneo. Valorizar as linguagens
audiovisuais, junto com as convencionais.
fonte: http://www.eca.usp.br/prof/moran/textos.htm
Nenhum comentário:
Postar um comentário